BRICS 2025: Dinâmicas Geopolíticas e Novas Oportunidades para o Sul Global

A presidência brasileira do BRICS em 2025 ocorre em um contexto de desafios para a governança global. Após a expansão do agrupamento para incluir Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos, o BRICS evoluiu do ponto de vista da sua capilaridade global e capacidade de incidência. Ao mesmo tempo, a ampliação pode trazer novos desafios para a ação coletiva.

O Brasil estabeleceu duas prioridades centrais para sua presidência: fomentar a cooperação no Sul Global e construir parcerias para o desenvolvimento social. Na medida em que o BRICS continua a expandir sua influência, a liderança do Brasil apresenta oportunidade para fortalecer a cooperação entre os países membros e avançar prioridades comuns no mundo em desenvolvimento.

Para a África do Sul e outras nações africanas, a liderança do Brasil apresenta oportunidades tangíveis para promover interesses comuns na reforma das estruturas financeiras globais e de medidas de facilitação de comércio e de redução de custos de transação entre os países membros. Além disso, a ênfase da presidência brasileira em inovação em financiamento climático — amplificada por sediar simultaneamente a COP30 — oferece caminhos potenciais para ampliar investimentos em infraestrutura sustentável no Sul Global, particularmente na África, onde a vulnerabilidade climática se cruza com imperativos de desenvolvimento.

Para explorar esses desenvolvimentos e suas implicações, o Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais (SAIIA), a Universidade de Brasília (UnB) – por meio do Instituto de Relações Internacionais e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais – e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estão organizando conjuntamente um seminário focado que conecta abordagens brasileiras com perspectivas sul-africanas. Esse diálogo fornecerá insights sobre integração econômica, desenvolvimento sustentável e o papel em evolução da África na estrutura do BRICS. Ao reunir especialistas em políticas públicas, acadêmicos e representantes da indústria, o seminário visa conectar a pesquisa acadêmica com aplicações práticas, sendo relevante para representantes diplomáticos, autoridades governamentais, pesquisadores e estudantes interessados em mudanças nas estruturas econômicas e políticas globais.

IREL Talks - BRICS 2025 Dinâmicas Geopolíticas e Novas Oportunidades para o Sul Global

Resultados Esperados

  • Compreensão aprimorada das prioridades estratégicas do Brasil para sua presidência do BRICS e suas implicações práticas para as relações econômicas internacionais e os mecanismos de governança.

  • Identificação de oportunidades específicas para economias africanas dentro da estrutura do BRICS, particularmente no que diz respeito a sistemas de pagamento alternativos e caminhos potenciais para maior autonomia econômica regional.

  • Desenvolvimento de abordagens pragmáticas para os desafios de governança em inteligência artificial e financiamento climático que atendam às necessidades específicas das economias em desenvolvimento.

  • Estabelecimento de um diálogo contínuo entre instituições sul-africanas e brasileiras sobre desenvolvimento de políticas relacionadas ao BRICS.

Principais Tópicos de Discussão

  • Mecanismos Financeiros: Avaliação prática do progresso atual em direção a sistemas de pagamento que reduzam custos de transação e ampliem as possibilidades de comércio e investimento intra-BRICS, o papel em evolução do Novo Banco de Desenvolvimento e implicações para os fluxos de comércio e investimento entre os países do BRICS.

  • Engajamento África-BRICS: Exame de formas concretas pelas quais economias africanas podem alavancar parcerias com o BRICS para desenvolvimento de infraestrutura, transferência de tecnologia e industrialização sustentável.

  • Inovações em Governança: Análise de modelos emergentes de governança da inteligência artificial e financiamento climático que equilibrem as necessidades de desenvolvimento com a sustentabilidade ambiental, com foco em iniciativas que possam ser implementadas no âmbito do BRICS.

  • Desenvolvimento Institucional: Avaliação de reformas potenciais para fortalecer a capacidade e a eficácia institucional do BRICS, incluindo lições aprendidas com outras organizações multilaterais.

Participantes:

Gustavo de Carvalho é um analista político com mais de 20 anos de experiência em assuntos internacionais, vivendo na África do Sul há mais de 15 anos. Atualmente é Pesquisador Sênior no Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais (SAIIA) e consultor independente, tendo ocupado cargos de liderança em think tanks, universidades e organizações internacionais, incluindo o Fundo de Consolidação da Paz da ONU. Especialista em relações África-potências globais, BRICS, Conselho de Segurança da ONU e arquitetura de paz e segurança, é comentarista frequente em veículos de mídia internacional. Formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, com mestrado em Estudos Africanos por Oxford, desenvolve atualmente seu doutorado na Universidade de Witwatersrand.

Haroldo Ramanzini Junior – é Professor Associado do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Editor-chefe da Revista Brasileira de Política Internacional (RBPI). É Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Centro de Estudos Globais da UnB, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU) e membro da Rede de Pesquisa em Política Externa e Regionalismo (REPRI). É Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e, entre 2017 e 2018, realizou estágio Pós-Doutoral na Universidade de Harvard. Atua nos seguintes temas de pesquisa: Análise de Política Externa, Política Externa Brasileira, Regionalismo e Instituições Internacionais, tendo publicado em periódicos científicos nacionais e internacionais.

Walter Desiderá Neto – Doutor em Relações Internacionais pela Universidade Complutense de Madri, Espanha (2016-2020), tendo desenvolvido tese sobre a política externa brasileira do governo Dilma Rousseff (2011-2016). Mestre em Política Internacional e Comparada (Universidade de Brasília, 2014), com interesses de pesquisa em integração sul-americana, cooperação Sul-Sul, BRICS e política externa brasileira. Pesquisador da Diretoria de Estudos Internacionais (DINTE) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Brasil, desde 2010. Atualmente, desenvolve ferramentas para Monitoramento e Avaliação de Política Externa, incluindo o uso de Big Data e IA.

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