Pós-Graduação

Mestrado e Doutorado em Relações Internacionais

O Curso de Mestrado foi criado em 1985 e tem caráter acadêmico, obedecendo às normas orientadoras da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação.

Para obter o diploma de Mestre, o aluno deve satisfazer às seguintes exigências: a) completar 24 créditos em disciplinas; b) completar  à dissertação que deve ser original e revelar pleno domínio de tema relevante para a área. O exame do candidato e da dissertação resultante da pesquisa é realizada por uma Comissão Examinadora de três membros designados pela Coordenação do Programa.

O Curso de Doutorado em Relações Internacionais foi criado em 2002. O Doutorado tem a duração mínima de 4 e máxima de 8 semestres letivos. Para obter o título de Doutor, o aluno deve satisfazer às seguintes exigências: a) completar 40 créditos em disciplinas; b) apresentar tese que represente contribuição significativa para seu campo de estudos. A tese deve ser defendida e aprovada por uma Comissão Examinadora composta de cinco membros designada pela Coordenação do Programa.

Áreas de Concentração e Linhas de Pesquisa

O Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais está estruturado sobre dois eixos ou áreas de concentração: a) Política Internacional e Comparada; e b) História das Relações Internacionais. Essa estruturação do programa sobre duas áreas de concentração resulta basicamente das capacidades acadêmicas existentes na Universidade de Brasília e permite que os candidatos possam escolher o enfoque mais adequado às suas preferências intelectuais e metodológicas, independente do tema ou da questão que pretende estudar.

Política Internacional e Comparada

Os estudos de Política Internacional e Comparada configuram um campo de pesquisa que se caracteriza por enfatizar a busca de explicações para os fenômenos internacionais empregando os recursos teóricos oferecidos pelo pensamento político, social e econômico. Muito embora as categorias analíticas desenvolvidas no âmbito dessa abordagem tenham base fortemente assentada na Ciência Política, esse campo também recorre à interdisciplinaridade uma vez que os fenômenos internacionais dificilmente podem ser adequadamente analisados e compreendidos sem o concurso de outros campos do conhecimento, notadamente a Economia, o Direito, a História e a Sociologia.

A Política Comparada oferece importante instrumental metodológico ao estudo dos fenômenos internacionais. Da mesma forma que o poder é um fator relativo, também a adequada compreensão do processo de formulação de políticas requer o entendimento das condições, recursos e circunstâncias inerentes a cada nação. Os recursos analíticos dos estudos comparados contribuem para dimensionar de forma mais precisa, por meio da comparação, os fatores e as circunstâncias cuja influência pode ser considerada como mais significativa na construção de decisões e de diretrizes que orientam fenômenos internacionais. Alguns estudiosos chegam mesmo a afirmar que, dificilmente, uma nação conhece verdadeiramente a si própria sem compará-la a outras nações. A seguir as principais linhas de pesquisa associadas à área de concentração de Política Internacional e Comparada.

a) Estudos de Economia Política Internacional. Estudo das principais questões e escolas de pensamento de Economia Política Internacional. Análise dos processos políticos e econômicos que explicam a formação, a configuração e as constantes alterações estruturais da ordem econômica internacional. Estudo dos processos de interação entre as instituições, os valores e as políticas associadas a atores internacionais no campo da economia. Estudo e avaliação das estratégias de inserção das economias nacionais na ordem econômica internacional.

b) Cooperação, Integração e Instituições Internacionais. Estudo das diferentes formas de cooperação internacional, incluindo processos de integração regional e negociações internacionais. Investigações relativas à criação e desenvolvimento de regras e normas no âmbito internacional, e a sua constituição em regimes, instituições e organizações orientadas para a formação de um sistema de governabilidade global.

c) Política Exterior. Estudo das políticas das nações, em especial do Brasil, voltadas para as relações com o meio internacional. Estudo dos processos de formulação da política externa: instituições, processos decisórios, recursos e condicionantes internos e externos. Estudo dos diferentes padrões que orientam as ações externas: relações bilaterais, regionalismo e instâncias multilaterais.

d) Segurança Internacional e Democracia. Análise do ordenamento do sistema internacional, especialmente no pós-Guerra Fria, enfocando os novos parâmetros de segurança internacional e regional. Estudo dos padrões de conflitos e dos fatores de estabilidade internacional. Estudo das possíveis relações entre segurança internacional e democracia. Análise das políticas de segurança e de defesa e as transformações no papel dos militares nas sociedades democráticas.

História das Relações Internacionais

Essa área de concentração fundamenta-se na investigação histórica dos fenômenos internacionais. Ao ver o fato histórico como um fenômeno único, o historiador das relações internacionais preocupa-se menos do que o cientista político com o conteúdo explicativo generalizante das relações internacionais, e mais com a investigação dos elementos empíricos definidores das causalidades, propósitos e desdobramentos que caracterizaram determinado fato internacional. Por outro lado, vai perdendo interesse a prática tradicional de se escrever a história diplomática basicamente como descrição da conduta das relações exteriores de um Estado com base nos argumentos utilizados pela respectiva chancelaria.

A história das relações internacionais, que substituiu a história diplomática escrita nos moldes tradicionais, alargou o objeto de estudo e modificou seu método. Compreende o conjunto das interações entre atores internacionais fruto de fatores econômicos, demográficos, culturais e tecnológicos além dos recursos de poder mais imediatos que existem entre os povos reunidos em sociedades politicamente organizadas. Esse modo de estudar a história, que explora outras fontes além dos documentos diplomáticos, tornou-se padrão também no Brasil. Além do mais, em muitos casos, os documentos diplomáticos não estão acessíveis aos pesquisadores a não ser após considerável período de tempo.

A área de concentração emprega um instrumental de análise que, em larga medida, recorre à interdisciplinaridade. A abordagem histórica permite a construção do conhecimento acerca de fatos e processos no âmbito das relações internacionais situando-os no contexto devido. Especial ênfase é dada ao estudo da evolução das circunstâncias dentro das quais o Brasil vem situando sua posição no mundo nos dois últimos séculos. A área de História das Relações Internacionais compõe-se de duas linhas de pesquisa:

a) História das Relações Internacionais Contemporâneas. Estudo das relações internacionais nos dois últimos séculos, desde que se formou de modo mais definido o que se convencionou chamar de moderno sistema de Estados. Estudo de eventos e desenvolvimentos marcantes no processo de mudança e configuração de atores, práticas e instituições característicos da ordem internacional.

b) História da Política Exterior do Brasil. Estudo da história da política exterior do Brasil desde a Independência. Estudo do processo de construção das relações exteriores do Brasil tendo em vista, de um lado, o quadro político e institucional do País e, de outro, a evolução dos padrões internacionais condicionantes da ordem política, econômica e social da nação.

Doutorado Interinstitucional para formação de especialistas em Relações Internacionais e Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia

No ano de 2007 inicia-se o Programa de Doutorado Interinstitucional em Ciências Sociais e Relações Internacionais – Dinter cujo objetivo é a formação de especialistas com conhecimentos avançados em Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais. Esse programa é patrocinado pelo Governo do Estado de Roraima e resulta de convênio assinado entre a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Roraima (UFRR) e a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO/Brasil).

Esse projeto, envolvendo a cooperação entre as três instituições, é parte de um esforço mais amplo não apenas do Brasil, mas também das nações vizinhas, no sentido de oferecer respostas aos inúmeros desafios representados pela região amazônica. Entre as muitas necessidades da região está a formação de pesquisadores qualificados e docentes especializados capazes de analisar os problemas e oferecer possíveis alternativas que viabilizem o desenvolvimento sustentável da região. As atividades do curso, em nível de doutorado pleno, desenvolvem-se basicamente nas instalações da Universidade Federal de Roraima, ficando a coordenação acadêmica sob a responsabilidade do IREL/UnB.

Saiba mais sobre a pesquisa e sobre a pós-graduação stricto sensu (Mestrado e Doutorado)

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