Doutorado inter-institucional em Relações Internacionais – UnB-UFRR

Doutorado Interinstitucional para formação de especialistas em Relações Internacionais e Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia

No ano de 2007 inicia-se o Programa de Doutorado Interinstitucional em Ciências Sociais e Relações Internacionais – Dinter cujo objetivo é a formação de especialistas com conhecimentos avançados em Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais. Esse programa é patrocinado pelo Governo do Estado de Roraima e resulta de convênio assinado entre a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Roraima (UFRR) e a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO/Brasil).

Esse projeto, envolvendo a cooperação entre as três instituições, é parte de um esforço mais amplo não apenas do Brasil, mas também das nações vizinhas, no sentido de oferecer respostas aos inúmeros desafios representados pela região amazônica. Entre as muitas necessidades da região está a formação de pesquisadores qualificados e docentes especializados capazes de analisar os problemas e oferecer possíveis alternativas que viabilizem o desenvolvimento sustentável da região. As atividades do curso, em nível de doutorado pleno, desenvolvem-se basicamente nas instalações da Universidade Federal de Roraima, ficando a coordenação acadêmica sob a responsabilidade do IREL/UnB.

A problemática ambiental converteu-se, nas últimas décadas, num dos tópicos cruciais na agenda internacional. Nesse contexto, a Amazônia, com sua biodiversidade, recursos aquáticos e seus problemas políticos e humanos, tornou-se questão prioritária na agenda das relações internacionais.

Os debates atuais sobre governança global e reforma das Nações Unidas colocam em evidência a interdependência entre segurança, desenvolvimento e meio ambiente; temas que, convencionalmente, têm sido tratados de forma separada e, muitas vezes, excludente. Um exemplo foi o Relatório “In Larger Freedom”, de Kofi Annan, Secretário-Geral da ONU, mostrando uma agenda das prioridades tendo em vista o fortalecimento do sistema internacional. Outro documento, “A More Secure World” – relatório do Painel de Alto Nível das Nações Unidas sobre Ameaças, Desafios e Mudança (UNGA A/59/565) – destaca o conceito de segurança humana, que se relaciona a uma abordagem holística das ameaças a serem enfrentadas no mundo atual, incluindo desde conflitos inter-estatais, guerras civis, genocídios, terrorismo e armas nucleares até ameaças econômicas e sociais como pobreza, doenças infecciosas e degradação ambiental. A mudança ambiental global é percebida como ameaça importante à segurança humana.

Pelo fato das principais florestas tropicais estarem localizadas em países não desenvolvidos, a problemática da ecologia política internacional ou da ecopolítica, insere-se fundamentalmente no contexto das relações Norte-Sul. Nas discussões sobre proteção ambiental nem sempre se dá prioridade ao combate a pobreza em massa e ao explosivo tema do pagamento dos juros da dívida externa, indissociáveis da exploração predatória dos recursos ambientais. Isto põe em relevo a importância de toda iniciativa que visa conhecer melhor os processos físicos, sociais e políticos que ocorrem nos países amazônicos, e contribui para a formulação de alternativas para atingir seu desenvolvimento harmônico.

A carência de conhecimentos originais por parte dos países amazônicos, minimiza sua capacidade de fato, para estabelecer diálogo com outros países sobre as estratégias de desenvolvimento da área, podendo comprometer a geração de iniciativas políticas de desenvolvimento alternativas como, também, fortalecer posições questionáveis, distantes do reconhecimento da necessidade da preservação dos recursos em seus territórios.

A superação de tais deficiências exige que os países realizem esforços, tanto de formação de pessoal científico capaz de gerar o conhecimento de que se necessita como, por exemplo, de especialistas qualificados para atuarem como formuladores de políticas de desenvolvimento sustentável para a área.

Tais desafios teóricos e políticos exigem aproximações disciplinares e multidisciplinares originais, capazes de integrar áreas de conhecimento e de formulação de políticas, tais como as de direito internacional de uso das águas e as de saúde. Isso requer originalidade nos enfoques, tanto quanto criatividade na formulação de linhas de desenvolvimento teórico. Nessa perspectiva, o curso de doutorado prevê a necessidade de disciplinas novas que busquem responder aos desafios colocados pela problemática ambiental atual. Tais como a Ecologia Política, que será um eixo articulador no doutorado a ser ministrado no Laboratório de Pesquisa I: Seminário Avançado em Teoria das Relações Internacionais. Esta disciplina terá como objetivo integrar de uma maneira original três tipos de problemas: meio ambiente (ecologia); política nacional e internacional (num sentido amplo); e desenvolvimento (políticas específicas).

Regulamento do Programa – Doutorado Interinstitucional – DINTER (pós-graduação stricto sensu);

  • Contatos com o Núcleo de Estudos Comparados da Amazônia e do Caribe : entre em contanto por e-mail ou visite a página do NECAR – UFRR.
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